Power Rangers terá personagem LGBT

A Ranger Amarela, Trini, interpretado pela atriz Becky G, vai se tornar a primeira protagonista LGBT em uma franquia de filmes de super-herói quando Power Rangers for lançado ainda esta semana e a primeira personagem LGBT da história da franquia Power Rangers.

Power Rangers  filme

Em entrevista exclusiva ao site Screen Rant, que anunciou com exclusividade a novidade sobre o filme, a atriz Becky G afirma que é uma decisão corajosa incluir um personagem LGBT em uma releitura de uma franquia tão popular. Trini, que tanto no filme como na série é uma estudante do Ensino Médio, questiona, no filme, a própria sexualidade e como encontrará seu caminho na vida. A menção ocorre quando a personagem assume que está tendo problemas com seu namorado, e depois percebe-se que ela está, de fato, tendo problemas com a namorada.

 

“Power Rangers sempre representou a diversidade e eles estão sempre à frente da curva em um monte de coisas e, embora possa ser um assunto delicado para algumas pessoas, eu acho que é feito de uma forma muito elegante, e não só isso, em uma maneira que é realmente real, porque você não sabe, Trini não sabe, e é nesse momento onde ela diz em voz alta, “Eu nunca disse nada disso em voz alta” e Zordon responde: “Você deve derramar suas máscaras para usar esta armadura.” É verdade. As pessoas devem aceitar-se para quem eles realmente são e estar orgulhosos de si mesmos, tomar posse da própria vida e aprender a se para realmente ser feliz; eu acho que é por isso que a Trini não tinha encontrado seu propósito na vida, até que ela os conheceu e é por isso que ela nunca realmente aprendeu a amar a si mesma, porque ela ainda não tinha aceitado quem ela realmente era.”

A comunidade LGBT ainda está sutilmente sub-representada na mídia, principalmente quando se trata do cinema. Apesar de inegavelmente grandes passos na direção certa, permanece uma lacuna entre a representação de personagens heterossexuais versus personagens gays, bissexuais ou trans mostrados na telona. No entanto, a mudança está chegando, embora lentamente, começando com séries como Glee, que apresentou dois casais do mesmo sexo estudantes do ensino médio, e seguindo para Orange is the New Black, que apresenta uma atriz transgênero em um papel principal, outros programas de TV considerados favoritos e filmes também estão gradualmente aprendendo a refletir a sociedade moderna. Mesmo a Disney está finalmente entrando no ato, apresentando o personagem LeFou como sendo abertamente gay no novo A Bela e a Fera. A aceitação à diversidade é um reflexo dos tempos que vivemos, portanto, é natural que o novo filme de super-heróis, como Power Rangers, também conte com um personagem LGBT, e em um papel principal.

O diretor do filme, Dean Israelite, disse, em entrevista ao site The Hollywood Reporter, que a cena foi feita de uma maneira natural, ou seja, da mesma forma que o assunto deve ser tratado na sociedade, sem nenhum alarde ou grande coisa feita do fato de que este é um personagem LGBT. Trini é apenas uma menina, lutando para determinar onde ela se encaixa. Um modelo de um personagem forte passando por algo que muitos adolescentes da mesma idade de Trini estão passando nas próprias vidas.

“Trini realmente está questionando muito sobre quem ela é. Ela ainda não descobriu o que aconteceu, acho que é o que é ótimo nessa cena e o que essa cena propicia para o restante do filme é: ‘Está tudo bem’. O filme está dizendo, ‘Tudo bem,’ e todos devem descobrir e aceitar quem são e encontrar sua tribo.”

Os Power Rangers chegaram pela primeira vez à atenção pública nos anos noventa, quando os personagens LGBT eram descartados de filmes ou programas de TV convencionais que atrairiam um público mais jovem, um forte contraste com os Power Rangers originais, que eram todos heterossexuais. David Yost, que interpretou Billy (o Ranger Azul original) é abertamente gay e revelou em algumas entrevistas e painéis com fãs que deixou a série, em 1996, após sucessivos assédios pela opção sexual. Ele revelou, também ao site The Hollywood Reporter, que tratar o tema no cinema foi uma grande evolução.

“Eles realmente forma muito bem. Acho que muitas pessoas na comunidade LGBTQI vão ficar entusiasmadas por ver essa representação”.

Vale a pena destacar que a orientação sexual não deve importar. O papel de um filme como Power Rangers deve ser trabalhar personagens fortes, bem desenvolvidos e, claro, com grande habilidade em luta. Mas qualquer filme de super-herói tem mais do que luta e cenas de ação; tem personagens com traços de personalidade e opiniões bem marcadas, que são o que levam o espectador ao cinema para ver a continuação do filme. Na releitura de Power Rangers, o público está conhecendo novos personagens. Quem são eles? De Onde veio o chamado? Como eles vão todos trabalhar juntos?. Adultos, crianças e adolescentes querem ver personagens com os quais podem se identificar, refletidos na tela. A maioria das pessoas será capaz de identificar alguém que conhece, está lutando para descobrir quem é, com algum personagem que viu no cinema e o fato de que Trini se descobre como LGBT, significará muito. Certamente algo a ser elogiado.

O elenco do filme, que estreia no Brasil dia 23 de março de 2017, terá a participação dos atores RJ Cyler (Billy/Ranger Azul), Naomi Scott (Kimberly/Ranger Rosa), Ludi Lin (Zack/Ranger Preto), Becky G (Trini/Ranger Amarela), Dacre Montgomery (Jason/Ranger Vermelho), Elizabeth Banks (Rita Repulsa), Bryan Cranston (Zordon) e Bill Hader (Alpha 5). Ashley Miller, Zack Stentz (X-Men: Primeira Classe) e John Gatins (Gigantes de Aço, O Vôo) são os roteiristas e Dean Israelite (Projeto Almanaque) é o diretor. O filme é distribuído no Brasil pela Paris Filmes.

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